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Na época da ditadura aqui no Brasil, quando a censura imperava, cortava, confiscava e usava outros verbos relativos à sua natureza, era comum nos jornais aparecerem no meio das notícias, uma receita de bolo, ou até mesmo uma poesia de algum escritor clássico, quando as pessoas viam isso já sabiam, ali deveria estar estampada uma notícia, que havia sido censurada, e pra tapar o buraco os editores colocavam essas pérolas da nossa culinária e literatura. Essa introdução toda, foi pra dizer que neste espaço, você deveria estar lendo um post que foi substituído por mais uma das minhas poesias do projeto Versos Transversos, não se trata de um caso de censura, mas é que o post que estaria aqui perdeu todo o sentido (a Rossana sabe o porquê). Sendo assim vamos à poesia, que não chega aos pés de um Fernando Pessoa, mas que espero seja melhor do que ler receita de torta de kiwi.

Tudo Flui

Tolice achar que sei o que sinto
Talvez só sentir já me baste.
Tenho medo da dor que alimento
Tantas vezes vertida em arte.

Uma vez mais a encontrei aqui
Usando-me agora como antes.
Urge saber o momento de agir
Última das minhas vontades.

Digo que o caminho é breve
Desejando que assim seja,
Devo escrever como quem escreve
Duvidando da própria certeza.

Onde sobrevive a minha liberdade
Oculto-me em tranqüila segurança.
Olho por sobre os domínios da morte
Outra vida que renova a esperança.

Feliz momento da Alma
Laço de amor e de luz,
Unge, alimenta e acalma
Indica, orienta e conduz.

Marcelo Leal Limaverde Cabral (08/09/2001)

Dónde están los ladrones?A trilha sonora hoje é Shakira, ela é a única das cantoras latinas (que cantam en español) que eu ouço com prazer, isso não significa que as outras não prestem, apenas não conheço outra legal, ela tem boas letras e uma postura de palco que sempre me agradou. Ontem à noite eu estava zapeando na tv e vi que ela estava sendo entrevistada no programa da Gabi, fiquei de cara surpreso porque ela estava falando português, e não era portuñol não, ela falava com sotaque (claro) e com dificuldade em encontrar algumas palavras, mas escorregou muito pouco, e isso eu acho uma demonstração de respeito, é raro vermos alguém de fora se esforçar para falar nossa(?) língua, ponto pra ela. E demonstrou, também, ser alguém de personalidade bem clara e segura (como eu imaginava), gostei. ¡ Arriba muchacha !

Depois de vários meses distante das minhas atividades voltadas para o espírito, fui convidado, mês passado, por um grupo espírita para dar uma palestra em uma de suas reuniões públicas. A data marcada foi ontem. Escolhi um tema sobre o qual havia escrito há uns dois anos, “Culpa e Medo, freios do nosso processo evolutivo”. Segue então um breve resumo da palestra:
Em nossas vidas, muitas vezes, acumulamos muitas culpas, desde aquelas que são resultado de uma educação castradora dos nossos pais, passando pelas desilusões amorosas, até os grandes erros e injustiças que cometemos na vida, e esse acúmulo de culpas (energia negativa) “trava” nossa capacidade criativa, e a nossa vontade de prosseguir. Chegamos então ao outro ponto do nosso tema, o medo, nos tropeços da jornada, desenvolvemos um medo irracional (muitas vezes ilusório) que nos impede de caminhar em frente. Não falo aqui do medo relacionado com a auto-preservação, mas do medo emocional, aquelas barreiras invisíveis que criamos, e nos impedem de tentar um novo amor, tentar um novo emprego. Precisamos do medo, ele nos protege da inconsequência, temos que aprender a conviver com ele, para ousarmos, para enfim crescermos. O aprendizado do perdão é a forma mais segura de “limparmos” nosso coração das sombras da culpa, temos que aprender a nos perdoar, e isso não significa racionalizar o erro, ou encontrar outros culpados, mas reconhecer que erramos, trabalhar para corrigir o erro (se possível), e então seguir em frente, esse é o processo, essa é a vida. Peace is the key.

Quem gostou do dicionário cearês-pernambuquês que postei na sexta, iria adorar aquele que foi o trabalho da vida do meu avô paterno Tomé Cabral Santos, o vovô Tomé, ele era escritor e pesquisador, e compilou o (pouco conhecido) “Dicionário de Termos e Expressões Populares”, que inclusive está na bibliografia do recém lançado Dicionário Houaiss e do famoso (mas pequeno) Dicionário de Palavrões.
Esse trabalho foi de uma vida inteira, elogiado por Rachel de Queiroz, o Dicionário tem mais de 180.000 verbetes pesquisados em milhares de livretos de cordel, e em suas andanças pelo Brasil. Infelizmente ele morreu sem ver seu trabalho realmente reconhecido pelo seu valor. Esse livro, inclusive, foi pirateado por uma editora mineira que o vendeu na Livraria Saraiva, sem a autorização da família. Algum advogado poderia nos ajudar ??
Eu tentei homenageá-lo colocando na internet outro de seus trabalhos de pesquisador, a árvore genealógica da família Lima Verde, que é a família da minha avó. Isso foi em 1996 quando a internet apenas começava por aqui, hoje esse projeto conta com familiares colaboradores em todo o mundo. Acho que foi a primeira árvore genealógica de uma família brasileira na internet. E quanto à origem do nome da família nada mais peculiar, leiam em http://www.limaverde.cjb.net/

Novos Links 

Este fim de semana fui linkado por dois blogs que leio diariamente, o controverso e coerente Piores Blogs falou do dicionário (ai embaixo) e o instigante e transparente Stripped Journal da Dominique falou da enquete. Resultado ? Muitos acessos e pageviews. Thank’s you both.

Tenho conversado bastante pelo ICQ com o Marcelo Glacial, que apesar do nome gelado mora na terra do sol, Fortaleza Ceará, e como eu morei parte da minha infância por lá, trocamos bastante comentários sobre as expressões diferentes entre o Ceará e Pernambuco. Deste papo nasceu a idéia de fazer esse pequeno dicionário com as diferenças do falar entre as duas maravilhosas capitais nordestinas. Aviso, porém, que eu me restringi àquelas que mais me fizeram confusão quando eu cheguei aqui em Recife.

Ceará Pernambuco Significado
Merenda Lanche Pequena refeição entre o almoço e o jantar.
Merendeira Lancheira Maleta para levar o lanche.
Apontador Lapiseira Instrumento ou aparelho de fazer pontas em lápis.
Lapiseira Grafite Utensílio para escrever, que consiste em um cilindro, com grafita, da qual se faz projetar pequena ponta para fora por meio de uma mola
Gigolé Diadema Adorno para o cabelo, no sul do Brasil, conhecido como tiara ou arco.
Grampo Birilo ou Biliro Alfinete com forma semelhante a um U alongado, feito de arame, para manter no lugar o cabelo em um penteado;
Eco! Eca! Interjeição de Nojo.
Isopor Isonor Tipo de poliestireno de extrema leveza.
Baitola Frango ou Fresco Homossexual masculino.
Fresco Escroto Um cara brincalhão.
Carpete Alcatifa Tapete aplicado ao chão com cola.
Baladeira Badoque ou Bodoque Arco em Y com duas cordas e um couro em que se põe a pedra, com que se atira. Estilingue.
Bila Bola de Gude Bolinhas de vidro.
Pastorar Vigiar Tomar conta.
Alpercata Sandália Calçado leve, de lona, com sola de borracha, couro ou outro material.
Jóia Massa Uma coisa muito boa.
Rebolar Jogar Arremessar pra longe alguma coisa.
Amostrado Rebolador Uma pessoa que gosta de aparecer.
Bruguelo Pirraia Uma criança pequena.
Sentina Privada Aparelho sanitário.
Amarelo Queimado Laranja Cor Laranja.
Arriégua Macho! Oxe Mermão! Intejeição de admiração.
Grudento Peguento Algo pegajoso, viscoso.
Cruzeta Cabide Dispositivo de arame, plástico ou madeira, onde se pendura roupa.
Mão de Vaca Pirangueiro Indivíduo sovina, mesquinho.
Tangerina Laranja-Cravo Fruta cítrica, também chamada de mexerica ou bergamota.

Hoje de manhã eu vinha caminhando para a Prograph depois de uma reunião em uma empresa onde trabalham muitas pessoas que eu conheço. E comecei a perceber como eu não sou bom em cativar amizades, não, eu não me acho um chato, mas tô falando de cativar mesmo, querer criar uma nova amizade com um(a) colega de trabalho, por exemplo. Eu raramente chamo as pessoas pra sair, espero sempre que alguém me chame, me sinto forçando uma barra em chamar as pessoas. Sei que você deve estar pensando, que bobo (babaca?). Mas isso não é algo consciente, na verdade os efeitos eu já conhecia (e vinha pensado neles) há um bom tempo, mas só hoje eu me dei conta de uma das causas: eu geralmente me retraio justamente no momento que a construção de uma amizade nasce. Sinto às vezes que algumas pessoas com que convivi um certo tempo, olham pra mim como se dissessem: “Pô cara, eu até queria ser seu amigo, se pelo menos você me ajudasse.”. I’ll work to change this.

Eu fico muito irritado quando eu vejo as pessoas agirem como hipócritas. Saiu na Folha Online: “Soninha diz que fuma maconha e TV Cultura cancela seu contrato”, a TV Cultura simplesmente demitiu uma das melhores jornalistas e apresentadoras para o público jovem, apenas porque ela afirmou na revista Época desta semana que fumava maconha. Que liberdade de expressão é essa? Só tem uma explicação preconceito. A arbitrariedade é sempre burra e perigosa. I’m sad.

ps. Eu não fumo nada, simplesmente porque não gosto, e conheço o grande perigo que as drogas representam, mas sou inteligente o bastante para saber que esse caso é bem outro. concordam?

Novo Projeto 

Coloquei no canal de poesias mais três das minhas, sendo uma (Alma) das antigas e inéditas, e duas (Metáfora e Duas Verdades) do meu novo projeto. O nome desse projeto tem uma história interessante, nasceu de uma coincidência feliz. Explico-me: em 1996 (+ ou -) eu escrevi de chofre um pequeno poema que chamei Versos Diversos, alguns anos depois eu estava relendo a biografia do meu avô paterno (falecido em 1988) para atualizar o site da família, e descobri que o primeiro livro dele havia sido uma coletânea de poesias e curiosamente chamava-se Versos Diversos. Recentemente iniciei esse novo projeto onde o título das poesias aparece escrito na vertical, a partir das primeiras letras dos versos, decidi então homenageá-lo (agora conscientemente) batizando essa minha coletânea com o (inspirado) título Versos Transversos.
Não sei se um dia publicarei no mundo real, mas pelo menos vocês, os privilegiados (?) leitores do meu site poderão conhecer algumas amostras desse trabalho. comments please.

Quando eu vi esse post do Zamorim falando do seu pai, que no Natal é o Papai Noel de verdade de muitas crianças carentes de Brasília, lembrei-me de um fato interessante da minha infância e acabei escrevendo um comentário no post.
Eu devia ter uns 5 anos um amiguinho me disse assim: “o Papai Noel na verdade é o seu Pai, é ele quem bota o presente na sua cama”, eu fiquei intrigado e fui investigar, depois de vasculhar todo o guarda-roupa dos meus pais eu fui até ele e disse: “mentiroso, meu pai não tem nenhuma roupa vermelha de papai noel.”
A Joyce Prado leu, gostou e fez um post bem legal sobre o meu comentário.
Essa história de hipertexto é muito interessante, as coisas vão se interligando, e com elas as idéias, as pessoas vão se conhecendo, e conhecendo outras, que comentam sobre um site …
Antes de ir, vejam o Papai Noel que eu tenho em minhas lembranças de infância, era um velhinho que morava em Fortaleza e que a IBM contratava todo ano para a festa de natal dos funcionários (clique nos links para ver as fotos):
.: Recebendo o presente em 1972
.: Com minhas irmãs Clarissa e Carina em 1977