31/03
Lembro bem claramente como passei a encarar a morte no início da minha descoberta do conhecimento espírita há 14 anos, a compreensão da existência de um sentido na vida e por consequência do fim inevitável desta, é empolgante, quase embriagante, a sensação de que estamos diante da maior das descobertas humanas é acima de tudo reconfortante, mas felizmente não me limitei, nem me satisfiz com esta visão neófita e superficial da realidade espiritual em que muitos estacionam no comodismo de “ter” uma religião.
Neste período, além do estudo continuado, sofri com mortes de pessoas amigas (e jovens), vi meu pai perder pouco a pouco a capacidade de comunicação e cognição vítima do mal de alzheimer, casei com uma pessoa maravilhosa e fui pai duas vezes, sendo este último fato o que mais forte impacto causou na minha forma de ver a vida e a morte.
O caso de Theresa Schiavo trouxe de volta ao foco das discussões a questão do direito que temos em decidir ou interferir na morte das outras pessoas, a complexidade das relações humanas transcende a vida e a morte, o chamado destino é deveras cruel quando não conhecemos o intricado drama gerador dos fatos em análise. É fácil para algum “especialista” em neurologia, catolicismo, ceticismo ou espiritismo emitir alguma opinião sobre o que se deve ou não fazer neste caso, quando não é ele quem está vivendo a dor e principalmente a responsabilidade daquele momento crucial.
Por tudo isso não me pergunte o que é certo fazer neste caso na visão espírita, ninguém pode saber isso senão aqueles diretamente envolvidos na questão, o que diz o coração de cada um, qual a mais profunda intenção de suas almas quando decidem tomar esta ou aquela posição para com aquele ente familiar, isto vai condená-los ou isentá-los do sofrimento maior que é o enfrentamento das suas próprias consciências.




