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Sempre que eu leio um livro algo nele me marca mais forte, e me faz lembrá-lo, pode ser a capa, um personagem, uma situação ou uma frase. No caso do livro A Divina Sabedoria dos Mestres do Dr. Brian Weiss (depois um post só sobre ele) o que me deixou a âncora mental foi a frase:

“Perdão não significa esquecimento. Significa compreensão.”

Ler essa frase me fez parar de ler, ela ia de encontro a uma crença que era forte em mim, sempre me ensinaram que “perdoar é esquecer”, as pessoas cobram isso umas das outras, eu tinha que pensar sobre ela, aqui deixo então meus pensamentos.

A primeira cena que me veio à mente foi a do calvário de Jesus, quando aquele homem vilipendiado, humilhado e torturado em seu momento extremo, eleva a voz aos céus e diz “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” Lc (23,34), aqui está a chave, a compreensão da ignorância dos seus algozes fazia o Galileu perdoá-los e pedir a Deus que também o fizesse. Não há como esquecer uma ofensa, uma traição, um desgosto, na verdade nem devemos esquecer, pois essas experiências nos ensinam muito, e fazem necessariamente parte da nossa história, portanto o caminho não é esse, precisamos compreender que há sempre uma razão em tudo, nem sempre com boas conseqüências imediatas para nós, é verdade, mas ter a consciência disso nas faz ver do alto e não reagir de forma negativa, pois a vingança nos colocará no ciclo vicioso do mal, recalcando vamos absorver uma energia negativa que se transformará em mau humor, fobias ou até mesmo em doenças, por tudo isso é que o auto-conhecimento é tão importante, precisamos saber o quanto somos fracos (e fortes) para podermos compreender que os outros assim também o são, fracos e fortes. Forgive 2001, Welcome 2002.

Muitas vezes nos vangloriamos (publicamente ou não) de virtudes que não conquistamos agora, que trazemos de antes do berço, de nossas experiências passadas, achamos até que elas justificam, ou compensam, os defeitos e imperfeições que ainda temos, costumamos achar que o saldo é o que importa, é o que a psicologia classifica como o mecanismo de defesa da racionalização, quando a verdadeira razão de estarmos aqui, nessa nova oportunidade na Terra, é trabalharmos para corrigir aquelas arestas da nossa personalidade que já temos consciência que ainda nos fazem errar, que nos fazem desequilibrar o mundo através dos nossos atos. Não podemos nos corrigir no que não sabemos que estamos errados, mas temos o dever, para conosco e para com Deus, de focalizarmos naqueles pontos que somos sabedores das nossas dificuldades de relacionamento.
Muitas pessoas dizem, “eu me afasto de quem não me traz uma energia boa”, essa é a típica frase de quem não está querendo enfrentar esses entraves de relacionamento, e estamos por aqui pra nos relacionarmos com o diferente, para aprendermos e ensinarmos. Essa é a graça e a dureza da jornada. Be strong, happy and peacefull in 2002

Quando fui assistir Harry Potter fiquei olhando para os grupos de adolescentes que corriam e falavam pelo cinema, e comecei a refletir sobre isso, leiam o que pensei:
O adolescente tem muito de ação mas é inconsequente demais, com o tempo, aos poucos, vai perdendo essa ação e com a experiência vai ganhando prudência, torna-se então um adulto. O problema nesta fase é a intensidade da mudança, os que perdem muita ação ficam prudentes demais, medrosos até, são a maioria, e têm dificuldade de serem proativos e bem sucedidos, o contrário gera os que são eternos adolescentes, metem os pés pelas mãos e continuam agindo sem pensar. Moral da história, temos que saber equilibrar a prudência sem perder a alegria e a energia de agir da juventude.

Depois de vários meses distante das minhas atividades voltadas para o espírito, fui convidado, mês passado, por um grupo espírita para dar uma palestra em uma de suas reuniões públicas. A data marcada foi ontem. Escolhi um tema sobre o qual havia escrito há uns dois anos, “Culpa e Medo, freios do nosso processo evolutivo”. Segue então um breve resumo da palestra:
Em nossas vidas, muitas vezes, acumulamos muitas culpas, desde aquelas que são resultado de uma educação castradora dos nossos pais, passando pelas desilusões amorosas, até os grandes erros e injustiças que cometemos na vida, e esse acúmulo de culpas (energia negativa) “trava” nossa capacidade criativa, e a nossa vontade de prosseguir. Chegamos então ao outro ponto do nosso tema, o medo, nos tropeços da jornada, desenvolvemos um medo irracional (muitas vezes ilusório) que nos impede de caminhar em frente. Não falo aqui do medo relacionado com a auto-preservação, mas do medo emocional, aquelas barreiras invisíveis que criamos, e nos impedem de tentar um novo amor, tentar um novo emprego. Precisamos do medo, ele nos protege da inconsequência, temos que aprender a conviver com ele, para ousarmos, para enfim crescermos. O aprendizado do perdão é a forma mais segura de “limparmos” nosso coração das sombras da culpa, temos que aprender a nos perdoar, e isso não significa racionalizar o erro, ou encontrar outros culpados, mas reconhecer que erramos, trabalhar para corrigir o erro (se possível), e então seguir em frente, esse é o processo, essa é a vida. Peace is the key.

Tenho conversado bastante pelo ICQ com o Marcelo Glacial, que apesar do nome gelado mora na terra do sol, Fortaleza Ceará, e como eu morei parte da minha infância por lá, trocamos bastante comentários sobre as expressões diferentes entre o Ceará e Pernambuco. Deste papo nasceu a idéia de fazer esse pequeno dicionário com as diferenças do falar entre as duas maravilhosas capitais nordestinas. Aviso, porém, que eu me restringi àquelas que mais me fizeram confusão quando eu cheguei aqui em Recife.

Ceará Pernambuco Significado
Merenda Lanche Pequena refeição entre o almoço e o jantar.
Merendeira Lancheira Maleta para levar o lanche.
Apontador Lapiseira Instrumento ou aparelho de fazer pontas em lápis.
Lapiseira Grafite Utensílio para escrever, que consiste em um cilindro, com grafita, da qual se faz projetar pequena ponta para fora por meio de uma mola
Gigolé Diadema Adorno para o cabelo, no sul do Brasil, conhecido como tiara ou arco.
Grampo Birilo ou Biliro Alfinete com forma semelhante a um U alongado, feito de arame, para manter no lugar o cabelo em um penteado;
Eco! Eca! Interjeição de Nojo.
Isopor Isonor Tipo de poliestireno de extrema leveza.
Baitola Frango ou Fresco Homossexual masculino.
Fresco Escroto Um cara brincalhão.
Carpete Alcatifa Tapete aplicado ao chão com cola.
Baladeira Badoque ou Bodoque Arco em Y com duas cordas e um couro em que se põe a pedra, com que se atira. Estilingue.
Bila Bola de Gude Bolinhas de vidro.
Pastorar Vigiar Tomar conta.
Alpercata Sandália Calçado leve, de lona, com sola de borracha, couro ou outro material.
Jóia Massa Uma coisa muito boa.
Rebolar Jogar Arremessar pra longe alguma coisa.
Amostrado Rebolador Uma pessoa que gosta de aparecer.
Bruguelo Pirraia Uma criança pequena.
Sentina Privada Aparelho sanitário.
Amarelo Queimado Laranja Cor Laranja.
Arriégua Macho! Oxe Mermão! Intejeição de admiração.
Grudento Peguento Algo pegajoso, viscoso.
Cruzeta Cabide Dispositivo de arame, plástico ou madeira, onde se pendura roupa.
Mão de Vaca Pirangueiro Indivíduo sovina, mesquinho.
Tangerina Laranja-Cravo Fruta cítrica, também chamada de mexerica ou bergamota.

Sobre as Perdas 

Depois que postei o meu texto sobre a saudade lembrei que há alguns dias venho pensando em escrever um artigo sobre duas citações que encontrei no excelente livro Palavras para o Silêncio de Zeferino Rocha, são dois textos do erudito e genial Daniel Lima que falam de forma aparentemente contraditória das perdas e de como lidamos com elas. Acho que vou escrever, depois coloco aqui…

Saudade 

Vou postar aqui uma outra reflexão minha, essa é sobre a saudade, veio depois de assistir a (ótima) mini-série Os Maias.

SAUDADE

Lembra-te de tudo, mas não com pesar
A saudade deve ser sentida
Qual se olha para uma infância feliz,
A certeza do que não volta
Deixa apenas a sensação boa,
Não há dor, nem revolta
Só o frescor da memória…

(23/3/2001)

obs. Esse foi meu primeiro post usando o blogBuddy, se vc está lendo isso é porque funcionou :-)

Pra não ficar muito tempo sem postar nada, vou deixar aqui dois pensamentos meus que anotei pra não esquecer, tento fazer isso sempre que filosofo algo interessante. Comentem este e os outros posts, basta clicar ai em baixo na palavra Comentários. Bem, ai vão as frases:

“Quem fala demais tem pouco a dizer, e compensa a falta de conteúdo com a profusão de palavras.”

“A partícula condicional SE só tem relevância quando a utilizamos olhando para o futuro, pouca ou nenhuma validade porém, terá para analisar o passado.”

Comentando a Peça 

Muito boa a peça, aqui em Recife inclusive com a participação especial de Aramis Trindade como o Matador, valeu a pena o ingre$$o caro. Pena que assim seja porque eu (mais uma pá de gente) gostaria de ir mais ao teatro ver peças legais sem a dor na consciência econômica.
Ontem, escrevi mais uma poesia para o meu projeto, mas como ninguém comentou a última que eu coloquei no canal de poesias essa vai ficar inédita também, por enquanto…

Lisbela e a Memória 

Hoje vou assistir a peça Lisbela e o Prisioneiro de Guel Arraes, ele que é uma das felizes exceções de qualidade na televisão brasileira, depois eu digo como foi. Sobre o post de ontem, acho que vou escrever um texto sobre a memória, já dei algumas palestras sobre o assunto, baseadas em meus estudos, vou ilustrar um pouco com exemplos da informática e da experiência com Papai, é importante se entender melhor como as informações são tratadas na nossa mente, e saber como prevenir problemas, e acima de tudo ter uma visão ampla (espiritual) sobre o assunto.
Aviso: Próximo post 23/10
Motivo: Feriadão do Apagão.
See you…