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Esta madrugada, depois de anos de sofrimento vítima de uma doença degenerativa, desencarnou com apenas 67 anos o Homem que me ensinou a ser quem eu sou.
Ao meu querido Pai, Márcio Cabral, dedico esse post de dor e saudade pela separação, mas ao mesmo tempo de certeza que na Vida Maior ele estará velando por todos nós, seus filhos, familiares e amigos.
Pai, obrigado por tudo que você me proporcionou e ensinou e principalmente obrigado por quem você foi, um exemplo de integridade e um Pai maravilhoso.

A seguir publico aqui uma poesia que escrevi e dediquei a ele há mais de 8 anos, ainda nos primeiros dias de sua enfermidade:

CERTO DIA PAREI…

Parei sem saber onde ir,
Perguntei por aqui, onde será ?
Busquei quem me dissesse vá por ali,
Encontrei alguém que me disse, na hora saberás.

Minha vida foi sempre assim,
Nada certo, nada firme,
Tudo contudo sempre funciona no fim.
Por certo, ajuda tive.

Engraçado ser desse jeito,
Preocupa-me mais, tenha certeza.
Ser sincero, um amigo perfeito,
É bem mais difícil que enfrentar a pobreza.

Nesses rabiscos de um poeta aprendiz
Está o registro de uma vida feliz.
Agradeço meu Pai, por agora e no porvir,
Agradeço a Deus por você existir.

Maria Sorria 

Eu vi Maria cantar
Ainda menino ouvi.
Ela sorria de lá
Eu sonhava daqui.
Marcelo Leal Limaverde Cabral (25/jan/2005)

Ouvindo: Santa Chuva – Maria Rita (3:57)

Faz quase um ano que não escrevo nenhuma poesia nova, mas recentemente estava revisando meus arquivos e vi que algumas ainda não foram publicadas por aqui. A seguir uma de 2001 que permanece sem título:

A mão do afago é a minha,
Neste e no dia sem palavras,
A dor sem amparo é tamanha,
Que esqueceste aquilo que amavas.

A minha alegria está doente
Dorme agora inquieta e inocente
A ela meu olhar e esta vida
Caminho, esperança e guarida.

A proximidade do sonho é clara
Quase posso tocar o passado
A verdade aquieta e ampara
Hoje sei quem me foi enviado.

Marcelo Leal Limaverde Cabral (Março/2001)

Ouvindo: Haja O Que Houver – Madredeus – (4:30)

Por vezes me encontrei sem esse medo de seguir
Sem essas meias verdades que me entorpecem.
Pertences ao que não convém nem mesmo existir
Se é que existes ou sou eu quem te imagina alguém.

Poucas vozes ainda me fazem ficar acordado
Sobraram aquelas que agora tentam me decifrar.
Permites que te levem para longe do meu lado
Só para desviar-me a direção do olhar.

Preciso voltar ao que escolhi como atalho
Senti que seria assim desde que aceitei estar aqui.
Prevês o meu sorriso e quando me calo
Selo nesta oração meu pranto por mim e por ti.

Marcelo Leal Limaverde Cabral (23/05/2003)

Ouvindo: O Velho e o Moço – Los Hermanos – Ventura (04:03)

Nunca mais escrevi poesia
Não sei por quê; por que seria?

Serve ao mal interior
Este agir descontrolado
Move em mim o destemor

Cada vez que acontece
Ódio, angústia e desatino
Nego agindo o que acredito
Trevas da alma que anoitece

Rasgo assim minha razão
Outra vez sem resistência
Luto para não ser em vão
Evocando um novo dia.

Marcelo Leal Limaverde Cabral (30/04/2002)

Poesia não é verdade, é momento!

Acabo de receber um e-mail informando que fui relacionado entre os Membros Efetivos da Academia Virtual Brasileira de Letras uma iniciativa para divulgação na grande rede dos novos poetas e escritores. Recebi até um emblema personalizado (meio brega, é verdade) para colocar no meu canal de poesias, para vê-lo ampliado clique na figura deste post.

Pare de olhar assim pra mim
Rindo da verdade em minha face
Eu nem lembro mais de onde vim.
Sei era melhor que me calasse
Ou quem sabe é este o meu fim.

Marcelo Leal Limaverde Cabral (22/03/2002)

Ando meio complicado
Zanzando por minha consciência
Umas vezes certo outras errado
Lamentando ao tempo o que eu faria

Marcelo Leal Limaverde Cabral (14/03/2002)