Na época da ditadura aqui no Brasil, quando a censura imperava, cortava, confiscava e usava outros verbos relativos à sua natureza, era comum nos jornais aparecerem no meio das notícias, uma receita de bolo, ou até mesmo uma poesia de algum escritor clássico, quando as pessoas viam isso já sabiam, ali deveria estar estampada uma notícia, que havia sido censurada, e pra tapar o buraco os editores colocavam essas pérolas da nossa culinária e literatura. Essa introdução toda, foi pra dizer que neste espaço, você deveria estar lendo um post que foi substituído por mais uma das minhas poesias do projeto Versos Transversos, não se trata de um caso de censura, mas é que o post que estaria aqui perdeu todo o sentido (a Rossana sabe o porquê). Sendo assim vamos à poesia, que não chega aos pés de um Fernando Pessoa, mas que espero seja melhor do que ler receita de torta de kiwi.
Tudo Flui
Tolice achar que sei o que sinto
Talvez só sentir já me baste.
Tenho medo da dor que alimento
Tantas vezes vertida em arte.
Uma vez mais a encontrei aqui
Usando-me agora como antes.
Urge saber o momento de agir
Última das minhas vontades.
Digo que o caminho é breve
Desejando que assim seja,
Devo escrever como quem escreve
Duvidando da própria certeza.
Onde sobrevive a minha liberdade
Oculto-me em tranqüila segurança.
Olho por sobre os domínios da morte
Outra vida que renova a esperança.
Feliz momento da Alma
Laço de amor e de luz,
Unge, alimenta e acalma
Indica, orienta e conduz.
Marcelo Leal Limaverde Cabral (08/09/2001)